“ELE FOI ORÇADO, MAS NÃO PLANEJADO!”: A INFÂNCIA NA CONTEMPORANEIDADE ("He Was Budgeted but Not Planned!": Childhood in the Contemporary World)

Celia Vectore, Marilene Proença Rebello de Souza, Thaís Vectore Pavanin, Ana Caroline Dias da Silva

Resumen


Resumo

O presente estudo traz algumas reflexões sobre o modo como a infância tem sido tratada na contemporaneidade na nossa sociedade. Objetiva contribuir com apontamentos que vão desde as propostas educativas elaboradas ao longo da história para a infância até aspectos relativos à presença da criança na mídia, no consumo e, finalmente, na cada vez mais frequente patologização da vida infantil. Questões como - até que ponto a sociedade atual, com suas mídias e apelos para o consumo e o foco exacerbado na adultização tem cuidado de suas crianças? Por que as crianças estão cada vez mais sendo medicadas? O que fazer diante desse panorama atual em que se torna evidente uma sociedade altamente medicalizada e medicalizante? – são tratadas no texto, a partir da revisão da literatura pertinente. A infância é reconhecidamente uma etapa fundamental para o desenvolvimento de todos os seres humanos e as considerações ao longo do estudo evidenciam como o brincar, vislumbrado como a atividade própria da infância, vem sendo desconsiderado na atualidade, em favor de atividades do mundo adulto num preocupante retorno da imagem criança como adulto em miniatura.

Palavras-chave: Infância, Brincar, Mídia, Patologização, TDAH.

 

Abstract

The present study provides some reflections about the way in which childhood has been addressed in the contemporary world in our society. It aims to contribute with observations ranging from the educational proposals elaborated throughout history to aspects related to the child´s involvement in the media, consumption, and finally, childhood pathologizating as an aspect that is becoming more prevalent. Issues such as -  ¿ To what extent does current society with its media and appeals for consumption and the exacerbated focus on impose adult behaviors on early ages, care for its children? ¿Why are children increasingly being medicated? ¿What can we do for the current panorama in which a highly medicalized and medicated society becomes evident? – are discussed in the text, from the relevant literature review. Childhood is recognized as a fundamental stage for the development of all human beings and some considerations throughout the study show  how  playing, considered  as a characteristic activity of childhood, is being disregarded today, in favor of  the  adult world pursuits  in a concerning return of the child image as adult in miniature.

Keywords: Childhood, Play, Media, Pathologization, ADHD.

Resumen

El presente estudio trae algunas reflexiones sobre el modo en que la infancia ha sido tratada en la contemporaneidad en nuestra sociedad. Tiene como objetivo contribuir con apuntes que van desde las propuestas educativas para la infancia elaboradas a lo largo de la historia hasta aspectos relativos a la presencia del niño en los medios, en el consumo y, finalmente, en la cada vez más frecuente patologización de la vida infantil. Cuestiones como - ¿hasta qué punto la sociedad actual, con sus medios y llamados al consumo y el foco exacerbado en la adultización, tiene cuidado de sus niños? ¿Por qué los niños están siendo medicados cada vez más? ¿Qué hacer ante este panorama actual en que se hace evidente una sociedad altamente medicalizada y medicalizante? - se tratan en el texto, a partir de la revisión de la literatura pertinente. La infancia es reconocida como una etapa fundamental para el desarrollo de todos los seres humanos y las consideraciones a lo largo del estudio evidencian cómo el jugar, vislumbrado como la actividad propia de la infancia, viene siendo desconsiderado en la actualidad, a favor de actividades del mundo adulto en un preocupante retorno de la imagen del niño como adulto en miniatura.

Palabras clave: Infancia, Jugar, Medios, Patologización, TDAH.

 

DOI: http://dx.doi.org/10.21615/cesp.11.2.4


Palabras clave


Infancia; Jugar, Medios; Patologización; TDAH

Citas


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