EVENTOS PRIVADOS E PRIVACIDADE NO BEHAVIORISMO RADICAL: A QUESTÃO DA OBSERVABILIDADE CIRCUNSTANCIALMENTE RESTRITA (Private Events and Privacy in Radical Behaviorism: A Circumstantially Restricted Observability Issue)

Henrique Mesquita Pompermaier, Naiene dos Santos Pimentel, Camila Muchon de Melo

Resumen


Resumo

A teoria de eventos privados tem sido alvo de intensos debates e controvérsias,apesar de configurar-se como o modo mais comum de abordageme explicação de fenômenos subjetivos no Behaviorismo Radical. O presentetrabalho insere-se nessa discussão, buscando deslindar o conceito deevento privado e a noção de privacidade nele implicado. A partir das definiçõese usos do termo encontrados na literatura da área, propõe-se aconsideração do termo evento privado como evento comportamental deobservabilidade circunstancialmente restrita. Nesse sentido, afastando-sede acepções como “interno”, “único”, ou ainda, “inobservável em princípio”,a noção de privacidade é compreendida como observabilidade circunstancialmenterestrita. Destaca-se que o conceito de eventos privados podeser utilizado na explicação do comportamento desde que tomado em umacompreensão relacional e contextual.

Palavras-chave: Eventos Privados, Privacidade, Behaviorismo Radical.

Abstract

The private event theory has been subject of intense debates and controversies,although it is accepted as the most common way to approach andexplain subjective phenomena in Radical Behaviorism. This work is partof this discussion and seeks to disentangle the concept of private eventand the notion of privacy involved in it. From the definitions and uses ofthe term found in the specialized literature, consideration of private eventterm as behavioral event with circumstantially restricted observabilityis proposed. In this sense, diverging from meanings as “inner”, “unique”or “unobservable in principle”, the notion of privacy is comprehended interms of a circumstantially restricted observability. It is emphasized thatthe concept of private events may be used in the explanation of behaviorsince it is considered into a relational and contextual comprehension.

Key words: Private Events, Privacy, Radical Behaviorism.

Resumen

La teoría de los eventos privados ha sido objeto de intensos debates y controversias,a pesar de que se ha aceptado como la forma más común de abordar y explicarlos fenómenos subjetivos en el Conductismo Radical. Este trabajo es parte de estadiscusión, en su empeño de desentrañar el concepto de evento privado y la nociónde privacidad que participan en ella. A partir de las definiciones y usos del términoque se encuentran en la literatura especializada, se propone la consideración deevento privado como un evento conductual con observabilidad circunstancialmenterestringida. En este sentido, se aparta de significados como “interno”, “único”, o “noobservable en principio”; mientras la noción de privacidad se entiende en términosde observabilidad circunstancialmente restringida. Es de destacar que el conceptode eventos privados se puede utilizar en la explicación del comportamiento si esconsiderado desde una comprensión relacional y contextual.

Palabras clave: Eventos Privados, Privacidad, Conductismo Radical.

 

DOI: http://dx.doi.org/10.21615/cesp.9.2.2


Palabras clave


private events, privacy, Radical Behaviorism

Citas


Abib, J. A. D. (1982) Skinner, materialista metafísico? Never mind, no matter. In Bento Prado Junior (Org.). Filosofia e comportamento. São Paulo: Brasiliense.

Anderson, C. M., Hawkins, R. P., & Scotti, J. R. (1997). Private events in behavior analysis: Conceptual basis and clinical relevance. Behavior Therapy, 28, 157-179

Baum, W. M. (2005). Understanding behaviorism: Behavior, culture and evolution (2a. ed.). Oxford: Blackwell Publishing.

Baum, W. M. (2011a). Behaviorism, private events, and the molar view of behavior. The Behavior Analyst, 34(2), 185–200.

Baum, W. M. (2011b). No need for private events in a science of behavior: Response to commentaries. The Behavior Analyst, 34(2), 237-244.Borba, A., & Tourinho, E. Z. (2010). Instrumentalidade e coerência do conceito de eventos privados. Acta Comportamentalia, 18(2), 279-196.

Carrara, K. (2005). Behaviorismo radical: Crítica e metacrítica. São Paulo: Editora UNESP.

Catania, A. C. (2011). On Baum’s public claim that he has no significant private events. The Behavior Analyst, 34(2), 227-236.

DeGrandpre, R. J. Bickel, W. K., & Higgins, S. T. (1992). Emergent equivalence relations between interoceptive (drug) and exteroceptive (visual) stimuli. Journal of the Experimental Analysis of Behavior, 58, 9-18.

Friman, P. C., Hayes, S. C., & Wilkson, K. G. (1998). Why behavior analysts should study emotion: The example o anxiety. Journal of Applied Behavior Analysis, 31, 137-156.

Gongora, M. A. N., & Abib, J. A. D. (2001). Questões referentes à causalidade e eventos encobertos no behaviorismo radical. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 3(1), 4-29.

Hayes, L. J. (1994). Thinking. In S. C. Hayes, L. J. Hayes, M. Sato, & K. Ono (Eds.), Behavior analysis of language and cognition (pp. 149-164). Reno, NV: Context Press.

Hocutt, M. (2009). Private events. Behavior and Philosophy, 37, 105-117.

Hineline, P. N. (2011), Private versus inner in multiscaled interpretation. The Behavior Analyst, 34(2), 221-226.

Leigland, S. (2014), Contingency horizon: On private events and the analysis of behavior. The Behavior Analyst, 37, 13-24.

Lopes, C. E. (2004). Comportamento e Disposição. In M. Z. da S. Brandão, F. C. de S. Conte, F. S. Brandão, Y. K. Ingberman, V. L. M. da Silva, & S. M. Oliani. (Orgs.). Sobre Comportamento e Cognição. Santo André: EseTec.

Lopes, C. E. e Abib, J. A. D. (2003) O behaviorismo radical como filosofia da mente. Psicologia: Reflexão e Crítica, 16(1), 85-94.

Marr, M. J. (2011). Has radical behaviorism lost its right to privacy? The Behavior Analyst, 34(2), 213–219.

Matos, M. A. (1995). Behaviorismo Metodológico e Behaviorismo Radical. In B. Rangé (Org.) Psicoterapia comportamental e cognitiva: pesquisa, prática, aplicações e problemas. Campinas: Editorial Psy.

Matos, M. A. (2001). O behaviorismo metodológico e suas relações com o mentalismo e o behaviorismo radical. In R. A. Banaco (Org.). Sobre comportamento e cognição: Aspectos teóricos, metodológicos e de formação em Análise do Comportamento e terapia cognitivista. (pp. 57-69). Santo André: ESETec.

Micheletto, N., & Sério, T. M. A. P. (1993). Homem: Objeto ou sujeito para Skinner? Temas em Psicologia, 2, 11-21.

Moore, J. (1995). Radical behaviorism and the subjective-objective distinction. The Behavior Analyst, 18, 33-49.

Moore, J. (2001). On psychological terms that appeal to the mental. Behavior and Philosophy, 29, 167-186.

Moore, J. (2009). Why the radical behaviorist conception of private events is interesting, relevant and important. Behavior and Philosophy, 37, 21-37

Overskeid, G. (1994). Private events and other causes of behavior: Who can tell the difference. The Psychological Record, 44, 35-43.

Palmer, D. C. (2009). The role of private events in the interpretation of complex behavior. Behavior Behavior and Philosophy, 37, 3-19

Palmer, D. C. (2011). Consideration of private events is required in a comprehensive science of behavior. The Behavior Analyst, 34(2), 201–207.

Pompermaier, H. M. (2013). Avanços na compreensão da subjetividade no Behaviorismo Radical. Dissertação de mestrado. São Carlos: Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de São Carlos.

Pompermaier, H. M., Melo, C. M., & Pimentel, N. S. (2014). Diferentes abordagens dos fenômenos subjetivos na obra de B. F. Skinner. Interação em Psicologia, 18(2), 205-215.

Ryle, G. (1980). The concept of mind. New York: Penguin Books. (Trabalho originalmente publicado em 1949).

Schlinger H. D. (2011). Introduction: Private events in a natural science of behavior. The Behavior Analyst, 34(2), 181-184.

Sério, T. M. A. P. (2005). O behaviorismo radical e a psicologia como ciência. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva [online], (2), 247-262.

Simonassi, L. E., Tourinho, E. Z., & Silva, A. V. (2001). Comportamento privado: Acessibilidade e relação com comportamento público. Psicologia: Reflexão e Crítica, 14, 133-142.

Skinner, B. F. (1957). Verbal Behavior. New York: Applenton-Century-Crofts.

Skinner, B.F. (1961). The operational analysis of psychological terms. In B.F. Skinner (Org.), Cumulative Record. New York: Appleton-Century-Crofts. (Trabalho originalmente publicado em 1945)

Skinner, B. F. (1965) Science and human behavior. New York: Free Press. (Trabalho originalmente publicado em 1953).

Skinner, B. F. (1969). Contingencies of reinforcement. New York: Appleton-Century-Crofts.

Skinner, B. F. (1971). Beyond freedom and dignity. New York: Alfred A. Knopf.

Skinner, B. F. (1976). About behaviorism. New York: Vintage Books. (Trabalho originalmente publicado em 1974).

Skinner, B. F. (1990). Can psychology be a science of mind? American Psychologist, 45, 1206-1210.

Skinner, B. F. (1991). Recent issues in the analysis of behavior. (Anita L. Neri, Trad.). Campinas: Papirus. (Trabalho originalmente publicado em 1989).

Stemmer, N. (1992). The behavior of the listener, generic extension, and the communicative adequacy of verbal behavior. The Analysis of Verbal Behavior, 10, 69-80.

Stemmer, N. (1995). Explanatory and predictive roles of inner causes: A reply to Overskeid. The Psychological Record, 45, 349-354.

Tourinho, E. Z. (1999). Estudos conceituais na análise do comportamento. Temas em Psicologia, 7(3), 213-222.

Tourinho, E. Z. (2004) Behaviorism, interbehaviorism and the boundaries of a science of behavior. European Journal of Behavior Analysis, 5(1), 15-27.

Tourinho, E. Z. (2006). Subjetividade e relações comportamentais. Tese para concurso de Professor Titular. Belém: Departamento de Psicologia Experimental da Universidade Federal do Pará.

Tourinho, E. Z. (2007). Conceitos científicos e eventos privados como resposta verbal. Interação, 11, 1-9.

Tourinho, E. Z., Teixeira, E. R., & Maciel, J. M. (2000). Fronteiras entre análise do comportamento e fisiologia: Skinner e a temática dos eventos privados. Psicologia: Reflexão e Crítica, 13, 425-434.

Vandenberghe, L. (2004). Relatar emoções transforma emoções relatadas? Um questionamento do paradigma de Pennebaker com implicações para a prevenção de transtorno de estresse pós-traumático. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 6, 39-48.

Zilio, D., & Dittrich, A. (2014). O que fazer com os eventos privados? Reflexões a partir das ideias de Baum, parte I: A definição de privacidade, Acta Comportamentalia, 22(4), 483-496.


Texto completo: PDF

Licencia de Creative Commons
Este obra está bajo una licencia de Creative Commons Reconocimiento-NoComercial-SinObraDerivada 4.0 Internacional.

 

Revista CES Psicología/ISSN 2011-3080 Facultad de Psicología Universidad CES

Publicada desde 2008

Ultima actualización Octubre de 2017

 

Copyright © 2011 Universidad CES, Calle 10A No. 22 - 04, Medellín, Colombia

 

http://www.ces.edu.co/