DOI: http://dx.doi.org/10.21615/cesp.9.1.8

”Sobrevivendo só da misericórdia“: a vivência de catadores de materiais recicláveis*

"Sobreviviendo sólo de misericordia": la experiencia de los recicladores

"Surviving only of mercy": the experience of recyclable material collectors

Natalia Lopes Braga1, Deyseane Maria Araújo Lima2, Regina Heloisa Maciel3
Universidade de Fortaleza, Brasil

 

1Psicóloga. Especialista em Psicologia Social e Comunitária (FATECI). Mestre e doutoranda em Psicologia pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Participante do grupo de pesquisa Laboratório de Estudos sobre o Trabalho (LET), vinculado à Universidade de Fortaleza
2Psicóloga. Especialista em Educação Inclusiva e Educação a Distância. Mestre em Psicologia. Doutora em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Professora da graduação e da pós–graduação em psicologia. Integrante do NUCEPEC/UFC. Membro do Instituto de Psicologia Humanista e Fenomenológica do Ceará (IPHE).
3Psicóloga. Mestre em Applied Psychology Ergonomics – University Of Wales Institute Of Science And Technology. Doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Professora da Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Coordenadora do Laboratório de Estudos sobre o Trabalho (LET), vinculado à Universidade de Fortaleza

Forma de citar: Haydu, V. B., Zacarim, M. R. J., Domingos, A. P. S. & Borloti, E. (2015). Medidas comportamentais de presença em ambientes virtuais. Revista CES Psicología, 9(1), 122–134


Resumo

A pesquisa buscou conhecer a vivência de catadores de materiais recicláveis, analisando como o processo de exclusão social afeta suas vidas. Buscou–se também identificar atividades e vivências que se referem ao processo de exclusão social e seus sonhos e expectativas para o futuro. Foi realizada uma pesquisa de campo qualitativa utilizando o método ”histórias de vida“, com a participação de dois catadores. Os resultados apontaram diversas dificuldades enfrentadas no dia a dia; o reconhecimento da discriminação; o sonho de encontrar outro trabalho. Por fim, destaca–se como a trajetória destes catadores é marcada por uma exploração física e econômica, sendo também permeada por preconceitos.

Palavras chave: Catadores de Materiais Recicláveis, Afetividade, Exclusão Social, Psicologia Social.


Abstract

This research analyzed the experience of recyclable material collectors, aiming to identify how the social exclusion process affects their lives and the activities and experiences correlated to the process of social exclusion, their dreams and future expectations. It was conducted a qualitative field research using "Life –history ”method, with the participation of two collectors. The results showed several difficulties they have to face every day; the recognition of discrimination; the dream of finding another job. Finally, it is highlighted how the background of these individuals is marked by a physical and economic exploitation, permeated by prejudices.

Keywords: Recyclable Material Collectors, Affects, Social Exclusión, Social Discrimination, Social Psychology.

Resumen

La investigación tuvo como objetivo descubrir la experiencia de los recicladores. Hemos tratado de identificar las actividades y experiencias que se relacionan con el proceso de exclusión social, sus sueños y expectativas para el futuro. Una investigación de campo cualitativo se llevó a cabo utilizando el método de "historias de vida", con la participación de dos colectores. Los resultados mostraron una serie de dificultades que se enfrentan todos los días; reconocimiento de la discriminación; el sueño de encontrar otro trabajo. Por último, se destaca como la trayectoria de estos colectores se caracteriza por una explotación física y económica, también está impregnado de prejuicios.

Palabras clave: Recolectores de Materiales Reciclables, Recicladores, Afecto, Exclusión Social, Psicología Social.


Introdução

Nos últimos anos, é possível perceber o crescente número de catadores de materiais recicláveis que trabalham nas ruas da cidade de Fortaleza–CE e que chamam a atenção pela precariedade do exercício da atividade, com mínimas condições de segurança e salubridade. Segundo a Pastoral do Povo de Rua (2003), os catadores de materiais recicláveis podem ser divididos em três categorias: os que trabalham em usinas de triagem, incineração e desidratação; os que trabalham diretamente em lixões recolhendo os materiais despejados pelos caminhões de lixo; e os chamados ”formiguinhas“ ou catadores de rua que recolhem os detritos diretamente dos logradouros, podendo ser vistos separando o material reciclável das lixeiras nas calçadas das cidades com sua inseparável carrocinha. Estes últimos são o objeto desta pesquisa.

Os catadores são pessoas com histórias de vida marcadas por muitas lutas e dificuldades, que encontraram neste ofício, pouco valorizado, sua sobrevivência. Eles representam uma população desassistida socialmente que sofre com a invisibilidade social e a ausência de poder. Por conta da baixa remuneração, reproduzem dia a dia suas condições de pobreza. São sujeitos que carecem da atenção de políticas públicas eficazes, além do reconhecimento de seu trabalho perante a população como atividade digna e de fundamental importância para o meio ambiente.

O título desta pesquisa foi retirado das falas dos dois catadores entrevistados, que coincidentemente afirmaram que sobrevivem ”só da misericórdia“. é uma fala forte que demonstra o peso que carregam, as dificuldades que enfrentam no dia–a–dia e como são afetados pelas condições injustas e precárias às quais são submetidos em meio ao processo de exclusão social. ”é só na misericórdia de Deus mesmo“ (Dona Luiza, uma das entrevistadas).

Os catadores de materiais recicláveis

A atividade de catador acompanha o desenvolvimento urbano do Brasil há muitos anos, seus primeiros registros datam do século XIX. Apesar de comporem um grupo bastante heterogêneo, os catadores comumente são pessoas que não conseguiram entrar no mercado de trabalho formal e encontraram nessa atividade uma forma de satisfação de suas necessidades imediatas (IPEA, 2013). A grande maioria deles passa por outras ocupações antes de tornarem–se catadores (Porto, Junca, Gonçalves, & Filhote, 2004).

Segundo Maciel et al. (2011) a atividade é exercida sobretudo por pessoas pobres e de baixa escolaridade. São pessoas que não conseguiram lugar no mundo de trabalho formal e diante da necessidade de obtenção de renda, encontraram na catação uma maneira de sustentar a si e a suas famílias.

Segundo Porto et al. (2004, p.1506), os catadores, ao serem indagados sobre o sentido de seu trabalho em suas vidas, relataram ”meio de sobrevivência, possibilidade de conquistar uma independência, forma de distração e de fazer amigos, modo de se sentir útil, único jeito de conseguir as coisas honestamente“. Dentre os principais acidentes sofridos na realização do trabalho de catador, destacaram–se cortes com vidros, perfurações com outros materiais, quedas, contusão por objetos na cabeça, queimaduras e atropelamentos. Como são trabalhadores informais, não estão salvo–guardados por nenhum tipo de seguro social em caso de acidente, doença ou qualquer situação que os impeça de trabalhar.

A precariedade de suas condições de trabalho faz com que os catadores de materiais recicláveis sejam vítimas de preconceito, tenham baixo reconhecimento do papel que representam para a economia e para o meio ambiente. Para Velloso (2004), os catadores sofrem com humilhação e desprezo dos moradores das residências em que retiram o lixo. Segundo Fossá e Saad (2006), a consciência de sua condição traz sofrimento e, muitas vezes, até sentimento de revolta, pois o trabalho gera vergonha e afeta sua autoestima.

Maciel et al. (2011), relatam que muitos catadores percebem nas pessoas um olhar de suspeita e de medo, além da falta de reconhecimento da atividade de catador como um trabalho. Essas pessoas costumam enxergá–los como mendigos, pobres e, quem sabe até, um ladrão em potencial ou de fato. Além disso, os catadores reconhecem seu trabalho como socialmente desvalorizado e estigmatizado, chegando a afirmar que é um trabalho ”sem futuro“.

Assim, apesar de exercerem uma atividade reconhecidamente benéfica para a sociedade, os catadores muitas vezes são vítimas de uma série de preconceitos, frutos da natureza do trabalho, de trabalharem com o que a sociedade reconhece como lixo (IPEA, 2013). Além das questões relacionadas à saúde, a baixa remuneração, os catadores ainda sofrem com um estigma social que os exclui.

Tendo em vista o desemprego prolongado e a necessidade de obtenção de renda, muitas pessoas encontraram na catação uma forma de geração de renda e uma maneira de inclusão social. Entretanto, para Foucault (1999), este tipo de inclusão dá–se como um processo de normalização, controle e manutenção da desigualdade social, sendo uma ”inclusão por exclusão“. Apesar do sujeito sair da condição de desocupado e passar a ser um trabalhador, sua inclusão no mundo do trabalho acontece de forma extremamente precarizada e muitas vezes insuficiente para a manutenção de suas necessidades básicas, como comida e moradia.

Nesse contexto, percebe–se o paradoxo da atividade de catador, pois, por um lado, são responsáveis por dar ao lixo um novo destino, aliviando os aterros e lixões e economizando novas matérias–primas, por outro lado, ocupam uma posição marginal na sociedade, sofrendo diferentes tipos de exclusão, tanto materiais quanto relacionais (IPEA, 2013). Isto reforça a ideia de que os catadores são incluídos socialmente por ter um trabalho, mas são excluídos pelo tipo de atividade que exercem (Medeiros & Macedo, 2007).

Exclusão social

A Psicologia Social Crítica busca compreender de que maneira as pessoas ou grupos são objetos de uma distinção,sendo constituídos como uma categoria à parte, segregados da sociedade (Jodelet, 2001). Atualmente, um número cada vez maior de pessoas constitui este grupo, sendo chamados de excluídos sociais.

A exclusão social refere–se à discriminação e à estigmatização. Além disso, ”ela inclui pobreza, discriminação, subalternidade, não equidade, não acessibilidade, não representação pública“ (Sposati, 1988, p.20). A exclusão ”é o processo sócio–histórico que se configura pelos recalcamentos em todas as esferas da vida social, mas é vivido como necessidade do eu, como sentimentos, significados e ações“ (Sawaia, 2001, p. 8). é um processo complexo e multifacetado, com dimensões materiais, políticas, relacionais e subjetivas. O psicológico, o político e o social entrelaçam–se em sua constituição e manutenção. O excluído não está à margem da sociedade, mas repõe e sustenta a ordem social vigente (Sawaia, 2001).

O processo de exclusão social leva consigo afetos significativos para os sujeitos, sendo as emoções indicadoras do estado de bem–estar social, bem como os desejos, os sofrimentos e os projetos de vida. Para Sawaia (2001), muitos pesquisadores, apoiados pelo princípio da neutralidade científica, deixam de fora de suas análises conceitos essenciais para compreender a problemática das questões sociais. Para esta autora, a presença da afetividade nas reflexões sobre desigualdade é fundamental e permite ao estudioso se indignar diante da pobreza e incorporar aos cálculos econômicos os custos sociais e humanos das decisões econômicas.

A exclusão atinge o sujeito em todas as esferas de sua vida, com privações e afetações de diversos tipos. Por isso, ao entrar neste tema, fala–se de desejo, temporalidade, afetividade, sofrimento, poder e direitos sociais. No centro de tudo, fica o sujeito que é perpassado e é em quem se motiva e sente as diversas faces deste processo. O cuidado com os sujeitos precisa ir além dos cuidados com a subsistência, considerando suas necessidades afetivas. Segundo Sawaia (2001), o sujeito sofre muitas vezes por uma condição que não tem origem nele próprio, mas sim em intersubjetividades delineadas socialmente.

Buarque (1993, p.15) propôs o termo ”apartação social“ para falar do afastamento de alguns indivíduos da sociedade, separando os ricos dos pobres, sendo este fenômeno ”a aceitação da miséria ao lado, com cuidado de se construir mecanismos de separação“. O sistema atual em que vivemos ajusta os grupos sociais ao processo excludente da globalização com estratégias que incluem a naturalização da exclusão e a banalização do sofrimento (Freitas, 2004). Como diz Telles (1999, p.85), ”espanta que o aumento visível da pobreza no decorrer dos anos nunca tenha suscitado um debate público sobre justiça e igualdade, pondo em foco as iniquidades inscritas na trama social“.

Segundo Guareschi (2001, p.150), ”as pessoas são, individualmente, responsabilizadas por uma situação econômica adversa e injusta. Para tais teorias, o social não existe“. O sentimento de individualismo é cultivado socialmente e retira das pessoas suas responsabilidades frente a sociedade. O problema, as mazelas, as dificuldades do outro, são encarados como questões que dizem respeito ao outro e não a toda sociedade. Um clima de indiferença anti–solidária espalha–se, fazendo com que as pessoas se fechem e ignorem a realidade social.

A exclusão social é, desta forma, presente no nosso cotidiano de forma natural e rotineira, suas vítimas passam despercebidas e seus padecimentos são ignorados. Esse processo é vivido principalmente pelos moradores de rua, ”flanelinhas“, até mesmo os delinquentes e também pelos catadores de materiais recicláveis.

Deste modo, os catadores de materiais recicláveis mesmo fazendo parte do cotidiano da sociedade, muitas vezes não são reconhecidos como parte dela. Sawaia (2001) sugere o uso do termo sofrimento ético–político para falar do sofrimento que abrange as múltiplas afecções dos sujeitos que têm suas vidas mutiladas de diferentes formas. Fossá e Saad (2006) afirmam que os catadores são pessoas que, embora tenham sonhos e desejos, não são percebidas como iguais.

Tendo em vista tal contexto, o objetivo desta pesquisa é conhecer a vivência de catadores de materiais recicláveis das ruas de Fortaleza–CE, analisando como o processo de exclusão social afeta suas vidas. Os objetivos específicos buscam identificar atividades e vivências que se referem ao processo de exclusão social e conhecer seus sonhos e expectativas para o futuro.

Método

A metodologia proposta foi uma pesquisa de campo qualitativa de caráter exploratório. Os sujeitos da pesquisa foram dois catadores de materiais recicláveis, Dona Luiza e seu João (nomes fictícios), que trabalham com a catação há mais de dez anos, tendo sido escolhidos por critérios de conveniência. As entrevistas foram realizadas após um primeiro contato inicial com cada um destes dois catadores, onde uma das pesquisadoras apresentou–se, falou dos objetivos da pesquisa e perguntou se eles aceitariam participar. Após terem aceitado o convite, foi marcado um dia e um horário para a realização da entrevista de acordo com a disponibilidade de cada um deles. A entrevista aconteceu de modo individual, isto é, pesquisadora e participante da pesquisa, tendo sido realizada no local de trabalho dos entrevistados, a rua.

Para a coleta de dados, foram realizadas entrevistas com a técnica de histórias de vida. Os sujeitos foram convidados a falar livremente sobre os percursos de suas vidas desde a infância até os dias atuais, ressaltando suas experiências como catadores. Esta técnica permite que os entrevistados reflitam e avaliem seus percalços como catadores, podendo ser caracterizada como uma conversa com finalidade (Minayo, 2006). Na seção de resultados, optou–se por apresentar mais diretamente aqueles fatos e histórias vivenciadas pelos sujeitos que mais tivessem relação com o exercício da atividade de catador de material reciclável.

Para a análise de dados, utilizou–se o método da análise de discurso, que é uma análise da fala dentro de um contexto, ajudando a compreender como as pessoas pensam e agem no mundo concreto. A análise de discurso centra–se na linguagem e permite apreender estruturas e conteúdos psicológicos que normalmente passam despercebidos em outros métodos (Góis, 2005).

Os entrevistados

Dona Luiza tem cinquenta e sete anos de idade, é natural de Fortaleza, foi adotada e nunca conheceu sua mãe biológica. Cursou o Ensino Médio, fez curso de datilografia, trabalhou no Hospital Psiquiatra de Messejana e foi gerente de boate. Há trezes anos trabalha recolhendo materiais recicláveis. Começou este trabalho por sugestão de seus filhos, Ficaram me chamando, me chamando, aí eu fui, eu tenho que ir porque eu não arranjei trabalho, não vou deixar meus filhos fazer coisa errada.

Seu João é natural de Barreira, cidade do interior do Ceará, veio para Fortaleza na busca do sonho de uma vida melhor. Tem quarenta e nove anos de idade e disse não ter estudado. Trabalha como catador desde 1999, Antes eu trabalhava na construção, aí foi que eu desempreguei e não arrumei mais trabalho, aí pronto… trabalhei muito nesses prédios… era um serviço que uma hora dessas (9h da noite) eu já tava em casa há muito tempo, mas não arrumei mais nada, o que que eu podia fazer né… roubar nada de ninguém eu não ia né, aí eu peguei e me meti nesse serviço aí.

Seu João mora com a mulher e um filho no Bairro Santa Maria em Fortaleza. é com o dinheiro arrecadado na catação que sustenta sua família.

Resultados e discussão

Atividades e vivências do processo de exclusão social

Dona Luiza tem 57 anos de idade, mas por trabalhar diariamente no sol quente e por outros maus–tratos da vida, seu rosto e seu porte físico enganam, apontando para uma idade mais avançada. O mesmo acontece com seu João, que prestes a completar 50 anos de idade, aparenta ter bem mais. Os carrinhos pesados da catação fazem com que exerçam um esforço físico exaustivo, podendo ser maior do que seus corpos podem suportar. Os dois têm um semblante bastante marcado, com um olhar cansado que sugere tristeza, mas acima de tudo, um olhar submisso que muitas vezes não consegue encarar o outro. é possível que esses traços, muito mais do que medo, inspirem pena nos moradores que os veem trabalhar pelas ruas, em seus bairros.

Dona Luiza afirma que Eles [os moradores das residências onde seleciona o material reciclável] me tratam muito bem, conversam comigo, perguntam como é que eu estou, às vezes me dá merenda, às vezes querem me dar almoço e eu não quero. Sou muito bem tratada, gostam muito de mim. às vezes tem deles que vai lá em casa deixar coisa.

Seu João, em concordância com dona Luiza, disse que as vezes recebe comida dos moradores e que Os porteiros são tudo legal com a gente, ’seu João, já tomou café hoje? Só não tem janta, tem pãozinho aqui com café, se o senhor quiser eu dou’, aí pronto. Todo mundo aqui já conhece a gente.

Sobre já ter sofrido preconceitos por ser catador, afirma Ninguém nunca disse nada comigo. Graças a Deus não, às vezes a negada diz que carroceiro é discriminado… é… mas eu, graças a Deus, o pessoal aqui não diz nada comigo não.

Instantes depois, seu João retoma ao assunto da discriminação dizendo:

Acho… é sabe porque doutora, porque tem uns aí que usa droga, né? E a gente que trabalha bem direitim, esses outros faz malandragem, né? Mexe nas coisas dos outros e a gente que não tem nada a ver… aí é por isso, a gente é discriminado por causa disso aí. Eu mais o Dedé não, porque, graças a Deus, a gente trabalha bem direitim, não usa nada nem nada. O Dedé que ainda toma um vinho aí, ele me disse que toma, mas eu não tomo nada não. Eu já tô com 49 anos de idade, vou fazer 50 anos já, nunca fui preso na minha vida, graças a Deus, nunca mexi na vida de ninguém, trabalho bem direitim… Apesar de afirmar nunca ter sofrido discriminação, seu João reconhece que os catadores são sim discriminados. Este preconceito, segundo ele, advém do uso de drogas e de furtos realizados por alguns catadores. A ”malandragem“ (palavra utilizada por seu João) de alguns resulta, muitas vezes, numa má fama que é atribuída à maioria dos catadores pela sociedade. Segundo Miura e Sawaia (2013), os catadores, por viverem daquilo que é dispensado pela sociedade, por mexerem no lixo, pela aparência suja e má vestida, acabam, muitas vezes, sendo discriminados. Para Teixeira (2015) a catação de materiais recicláveis é uma atividade rejeitada socialmente, exercida em condições precárias.

Durante a conversa, a fala dos dois participantes apresentou diversas vezes discursos que buscaram expressar e ressaltar suas dignidades. Seu João fez questão de deixar claro que O lixo também a gente pega mais nesses apartamentos que é um lixo limpo né, porque tem lixo réi de restaurante, de clínica, mas a gente não pega não (…) pego só dos apartamentos mesmo, porque os apartamentos é limpo né… aí assim a gente pega só esses lixos mesmo.

Mesmo trabalhando com o lixo, seu João ressaltou que não pega em qualquer lixo, sua coleta é antes mesmo selecionada de acordo com as residências, deixando claro que só pega lixo limpo. é possível perceber que a atividade de catador, mesmo sendo permeada por preconceitos, discrimanções e estigmas, permite que esses sujeitos resgatem sua identidade de trabalhador e se diferenciem de camadas ainda mais desvalorizadas socialmente (Matos, Maia, & Maciel, 2012). Neste sentido, percebe–se que, mesmo realizando uma atividade pouco valorizada socialmente, seu João faz questão de ressaltar que só pega em lixo limpo, em uma tentativa também de fugir de esterótipos que relacionam a catação com sujeira.

Além disso, repetiu algumas vezes que já é bastante conhecido no bairro, Nós como já tamo aqui há muito tempo já, todo mundo já conhece a gente. Tanto é que as vezes aparece algum serviço assim no prédio, alguma coisa, eles só chama a gente, outro que passa aí na rua num chama não, só eu ou o Dedé.

Nesta fala é percetível como ele enaltece a confiança que os moradores da região têm nele, buscando demonstrar sua credibilidade. Dona Luiza, que paga R$ 300 reais por mês de aluguel, também ressalta sua credibilidade e o compromisso que tem com suas dívidas, ela afirma:

Eu posso passar a maior fome do mundo, mas chega o dia de pagar a casa eu tenho que ter aquele dinheiro.

Neste sentido, em concordância, Miura e Sawaia (2013, p.332) afirmam que ”essa ocupação [de catador] é sentida por muitos deles como fonte de dignidade, sim, e modo legítimo de se obter renda, uma vez que conseguem dessa maneira se inserir como trabalhadores, diferenciando–se dos ladrões“. Percebe–se como os catadores entrevistados buscam ressaltar em seus discursos a dignidade, a credibilidade, que não usam drogas, que só pegam lixo limpo, entre outros, no intuito de se afastar daqueles estigmas que permeiam a atividade e que geram preconceito. Assim, reconhecendo os atributos negativos muitas vezes associados a catação de materiais recicláveis, os entrevistados buscam em seus discursos distanciarem–se destes mesmos atributos, numa postura defensiva.

Apesar de dizer que é muito bem tratada como catadora, dona Luiza contou que nem sempre foi assim. Quando começou este trabalho disse:

(...) fui tão humilhada… pegava o carrinho e ia andando por aí, aí os pessoal, os rapazes jogava pedra em mim, me chamava de lixeira, passei tanta humilhação que com o tempo eu me acostumei, eu não tô fazendo nada errado… (…) foi no começo, aqueles meninos que não têm o que fazer, que vivem solto no meio da rua, me esculhambavam, quando eu passava me esculhambava: ’ei lixeira, lixeira!’, fazendo as coisas feia sabe, sacudia pedra, até chorar eu chorava, já passei por muita coisa e as vezes ainda passo, o peso é grande, as vezes eu quero chegar em casa logo, tô sentindo muita dor nas costas e doida pra chegar em casa logo e não tem como chegar, eu dou quatro passadas e paro, quatro passadas e paro, sabe. Dona Luiza deixa claro as dificuldades impostas pela catação. Além das dores e da fadiga do corpo, existe também a dor de ser tratado como inferior. As interações sociais marcadas por preconceito e discriminação são prejudiciais à saúde mental, podendo resultar em doenças psicológicas e até mesmo físicas para os sujeitos. O que estes sujeitos vivem se caracteriza como sofrimento ético–político no dizer de Sawaia (2001).

Em alguns momentos da pesquisa, foi possível perceber que a fala dos dois participantes entra em contradição. Seu João diz que não é discriminado, pois realiza seu trabalho de forma correta e que é muito bem tratado por todos. Mas, alguns instantes depois, em meio a outro assunto, interrompe sua própria fala e volta mais uma vez ao assunto: ”agora dizer que a gente é discriminado, é né?“, percebendo–se também discriminado. O retorno ao assunto sobre a discriminação pode demonstrar que o tema permaneceu nos pensamentos de seu João, refletindo sobre isso ao longo da conversa.

Dona Luiza por toda a conversa alternou falas ora dizendo que é muito feliz com seu trabalho e, logo em seguida, afirmando que é um trabalho muito duro, que já está cansada e que sofre muito com dores no corpo. Também alternou falas em que ora demonstra muita alegria e ora demonstra sofrimento com a vida. Disse:

Eu me sinto muito feliz apesar dos pesares, mas me sinto muito feliz, porque eu tenho os meninos que não são meus filhos, mas se preocupam comigo.

Mas em outro momento contradiz: ”ontem me deu uma crise de choro, quase que eu morria“. Os altos e baixos são intensos em sua fala, demonstrando que muitas vezes sua rotina e sua realidade provocam afetos tristes, mas constantemente ela procura superá–los e para isso faz uso da negação. Assim, uma hora ela afirma que é muito feliz e, em seguida, diz que teve uma crise de choro, demostrando a ambiguidade de seu discurso. Pode–se refletir como a rotina pesada, imposta pelo trabalho, e as dificuldades, enfrentadas em uma vida tão permeada por sofrimentos e pobreza, configuram uma situação difícil de ser sustentada, sendo importante encontrar em algum lugar pontos positivos, mesmo que ”apesar dos pesares“. Percebe–se a fragilidade de seu discurso sobre o quanto é feliz, pois este se contrasta com muitas outras afirmações de sofrimento e problemas no dia a dia.

Através da fala dos dois participantes, foi possível perceber como o processo de exclusão social vivido pelos catadores dá–se de modo sutil. Ambos disseram ser bem tratados pelos moradores dos bairros de classe média alta em que trabalham, mas ficou notável, segundo seus discursos, a relação hierárquica que ocorre nesse contato. Segundo Mello (2001, p.133), ”há uma troca constante de olhares, mas a reciprocidade deles está carregada de significados diferentes“. Os catadores recebem prato de comida, às vezes são cumprimentados, porém sempre permanecem numa situação submissa, em que são ajudados pelos moradores, mas não necessariamente são vistos e tratados como iguais. Seu João, durante toda a conversa com a pesquisadora, foi incapaz de levantar os olhos e encarar o olhar. Em todos os momentos, referia–se à pesquisadora e às outras moradoras da região chamando–as de ’doutora’, o que parece demonstrar um respeito submisso, que aponta para a superioridade do outro.

Para Lima, Bonfim e Pascual (2009, p.238), ”deve–se ressaltar a questão do sofrimento presente nas injustiças sociais, na opressão, na exploração e no não reconhecimento dos seus direitos“. Apesar da inconstância, o discurso dos participantes foi permeado por questões que ressaltavam as lutas e as dificuldades enfrentadas na vida, tendo seus discursos marcados por sofrimentos.

Sonhos e expectativas para o futuro

”Eu queria dois sonhos. Dois sonhos impossível!“ (Dona Luiza)

Freire (1993) afirma que não entende ”a existência humana e a necessária luta para fazê–la melhor, sem a esperança e o sonho. A esperança é necessidade ontológica“ (p.10). Mas falar de sonhos, desejos e planos para o futuro parece um pouco delicado para aqueles com quem a realidade foi sempre muito dura, cuja a vida já frustrou muitos projetos e os sonhos sempre foram difíceis demais de serem alcançados.

Quando indagados sobre as perspectivas e desejos para o futuro, os dois participantes ficaram um pouco em silêncio. Seu João teve dificuldades de pensar em algo que queria para o futuro. Já dona Luiza respondeu:

Não sei, só Deus sabe! Sei nem se amanhã tô viva, com esses problemas que tão acontecendo lá em casa….

Parece que vivem uma vida realmente no presente, com dificuldades de pensar no futuro. O aqui–agora é tão intenso, dinâmico, permeado por tantas incertezas e imprevistos, que fazer planos para o futuro não é algo costumeiro. Como diria Freire (1993), muitos sonhos rasgados, mas não desfeitos.

Seu João respondeu que Uma coisa que eu pedi uma ajuda ao prefeito, a menina vereadora pra arranjar pra mim, pra eu conseguir botar uma coisa, botar uma venda pra eu trabalhar, porque eu já tô ficando na idade né…

Seu João demonstrou por diversas vezes a preocupação por já estar numa idade avançada e seu corpo não poder suportar por muito mais tempo os esforços necessários para a catação.

Falar em sonhos, por ser uma possibilidade mais fantasiosa e ilimitada, pareceu mais fácil. Dona Luiza disse:

Eu queria dois sonhos. Dois sonhos impossível! Um era minha casa e outro era um objeto, pra mim botar minhas nota fiscal, um notebook. Um sonho muito doido mesmo. Da onde que eu posso comprar um notebook? é muito dinheiro!

Ao final da conversa, dona Luiza voltou ao assunto do sonho e contou:

O que eu sonho é que o Gugu fosse na minha casa… Já pensou se o Gugu chegasse lá em casa? Aí eu ia mudar de vida, ele ia me dar uma casa, eu não queria nem aquelas coisonas que ele dá, eu queria só a casa… (…) uma das doutoras minha fez até uma carta pro Gugu, eu acho que essa carta ainda tá bolando por lá, porque a minha menina botou, mas até agora nada ainda.

A consciência mágica sugerida por Freire (1993) aparece aqui com bastante nitidez, demonstrando a dificuldade de formular planos concretos para atingir metas, como a casa, e buscando a solução de alguns problemas em alternativas mágicas, que da noite para o dia resolvem tudo. Além disso, é possível perceber como são alienados de sua potência, sempre demonstrando em seus desejos a vontade de serem ajudados por outros para modificar e melhorar sua vida.

Seu João demonstra esperança e fé em um futuro melhor para os catadores. Segundo ele:

O prefeito era pra fazer umas coisa pela gente, ajudar a gente (…) o vereador me disse que esse prefeito que ganhou agora, ou outro se tivesse ganhado o Elmano, disse que vão ajudar aí os carroceiros agora, falou que ia ajudar, vamo ver ne…

Ele torce para que a profissão seja mais reconhecida e que seus direitos como trabalhador sejam reconhecidos. Além disso, é possível refletir também na dificuldade, persistente no Brasil, da implementação de políticas públicas em favor dos mais pobres e em seu reconhecimento enquanto direito e não favor.

Tanto dona Luiza como seu João almejam se aposentar para ter uma vida mais tranquila, com a segurança de um dinheiro certo ao final do mês. A única fonte de renda dos dois é obtida através da catação de materiais recicláveis, nas palavras de dona Luiza Ontem por incrível que pareça, foi o pior dia da minha vida. Eu perdi o Bolsa Família, a minha aposentadoria foi negada, que eu tava confiando, e agora tudo é do lixo!

Segundo Velho (2008), os projetos e planos para o futuro são elaborados em função de experiências sócio–culturais. No caso de dona Luiza, o desejo da casa própria e de um notebook para registrar suas notas fiscais representa a amenização de sua condição de pobreza e a possibilidade de uma renda maior. Para seu João, a vontade de abrir uma venda significa um trabalho menos exaustivo, que exige menos do seu corpo, garantindo um envelhecimento mais tranquilo.

Os dois participantes apontaram para o futuro a possibilidade de sair do trabalho de catador. Seu João falou de seu desejo em abrir o próprio negócio e dona Luiza contou que um de seus filhos quer que ela arranje outro serviço por conta de sua saúde, mas segundo diz ”ainda não tá no tempo não“. Esse desejo de exercer uma outra atividade e sair da catação, pode ser refletido diante do fato da catação de materiais recicláveis não aparecer na vida desses sujeitos por uma escolha, mas sim pela falta de outras opções, sendo aquilo que se conseguiu como consequência de desigualdades sociais. Além disso, ”ainda que o trabalho executado cause satisfação, os catadores almejam outras ocupações a fim de garantirem um maior reconhecimento social, embora não busquem qualificação para tal“ (Teixeira, 2015, p. 104).

Enquanto não encontram uma outra atividade remunerada, os dois catadores vão resistindo com uma renda mínima e sem ajuda de políticas públicas, enfrentando muitas dificuldades, lutando todos os dias para sobreviver e seguindo com seus sonhos e esperanças, pois ”não há mudança sem sonho como não há sonho sem esperança“ (Freire, 1993, p. 91).

Considerações finais

Diante do exposto, pode–se perceber como a trajetória dos catadores é marcada por uma exploração física e econômica, onde esses sujeitos são submetidos a condições precárias de trabalho e sem nenhum reconhecimento social. As falas dos participantes demonstraram o reconhecimento de alguns preconceitos e estigmas que permeiam os trabalhadores da catação. Percebe–se que, se por um lado os catadores, em geral, são vítimas de preconceitos muitas vezes por conta de sua aparência, por alguma ”malandragem“ e/ou outras coisas, os catadores participantes desta pesquisa fizeram questão de se distanciar desses estereótipos, frizando que são trabalhadores honestos, reconhecidos pela vizinhança.

Pode–se concluirtambém que os dois participantes da pesquisa, quando indagados sobre o futuro, não enxergam nas políticas públicas possibilidades reais de transformação em suas vidas. Os dois depositam em sujeitos específicos, como o Gugu para dona Luiza e algum vereador ou o prefeito para seu João, as possibilidades de transformarem suas vidas, permitindo fazer uma reflexão da imagem de ”heróis“ ou ”salvadores“ que eles representam. Relações como essas e/ou de ”apadrinhamento“ são facilmente encontradas em populações de baixa renda, de maneira geral, podendo serem inferidas como estretégias de sobrevivência ou melhoria de vida em meio a tantas adversidades. Percebe–se como os participantes da pesquisa não se veem capazes de sozinhos mudarem de vida, necessitando da boa vontade de outros.

Sawaia (2009, p. 365) diz que ”por traz da desigualdade social há vida, há sofrimento, medo, humilhação, mas também há o extraordinário milagre humano: a vontade de ser feliz e de recomeçar ali onde qualquer esperança parece morta“.

A crença e a valorização da capacidade do sujeito de mudar sua própria realidade é imprescindível para iniciar um processo de mudança social. Os sujeitos devem ser atores ativos das mudanças, carecem estar no comando das decisões de suas vidas e precisam apropriar–se de maneira profunda de suas realidades. Para Sawaia (2001, p.13), ”ser otimista é acreditar na potencialidade do sujeito de lutar contra essa condição social e humana, sem desconsiderar a determinação do social“.

Para lidar com a questão da exclusão social é preciso que a sociedade implique–se na luta por melhores condições de vida e menores índices de desigualdade. Para Guareschi (2001, p.155) ”são necessários novos mapas que conduzam a caminhos novos, humanizantes; que conduzam a novas relações que sejam pluralistas, democráticas, participativas“.

Diante disso, fica a reflexão da necessidade de que as pessoas, enquanto indivíduos, se impliquem mais em seus processos de mudança, de modo a serem atores ativos na conduta de suas vidas, atentando para suas potencialidades e possibilidades. E que as pessoas, enquanto sociedade, busquem atitudes mais solidárias, menos estigmatizantes, atitudes que, além de ajudar ao próximo, possibilitem sua evolução e emancipação.

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Recibido: Febrero 28–2015 Revisado: Noviembre 10 12–2015 Aceptado: Febrero 25–2016



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